" Eu sempre soube que príncipe encantado não
existia. Não, sempre não. Na verdade, sou obrigada a confessar que já acreditei
em contos de fadas. Principalmente, aqueles que minha mãe lia ao pé da minha
cama, que hoje percebo, eram interpretados sem que ela me fitasse os olhos. Ela
lia, e eu ali, ficava tentando imaginar as cenas, fantasiava, viajava,
recriava, questionava, mas adormecia em paz. Afinal, sempre tinham finais
felizes.
Pensando bem, acho que aquele momento também era
muito importante para ela. Era o momento em que ela resgatava e fazia alguém
acreditar no que ela acreditara um dia. Mas, se nossos olhos se cruzassem, eu,
mesmo em minha pouca idade, perceberia o apelo em seu olhar pra que não levasse
tudo aquilo tão a sério.
Não. Eu não estou desiludida. O tempo foi
passando, e eu mesma pude criar, recriar e desmitificar meus próprios contos de
fadas. Hoje, eu não espero mais um príncipe montado em seu cavalo branco, ou
que me beije os lábios depois da bruxa má ter me feito comer uma maçã envenenada.
Hoje não perco mais horas de sono a imaginar castelos, jardins suspensos,
magias e encantamentos.
Hoje eu apenas quero alguém que me cale a boca
com um beijo quando meu silêncio grita e se torna um abismo intransponível
entre dois seres que se amam. Eu só quero alguém que compartilhe da minha vida,
tente entender a minha alma inquieta, que sacie meu fogo quando estiver aceso,
que o acenda quando estiver em brasa, que se deixe acender quando meu corpo se
torna incendiário, e que fique assim, agarradinho a mim, até que meu coração
volte ao compasso, e a minha respiração desacelere em um sono profundo,
protegido pelo aconchego de um abraço que continua ali, bem ao alcance das
minhas mãos.
Não precisa ser alguém que goste de tudo que eu
gosto. Eu só quero alguém que sinta prazer em estar ao meu lado, simplesmente
por estar ao meu lado. Seja na praia ou em uma cidade do interior, seja em uma
boate ou em uma estrada deserta, seja no futebol ou naquele almoço de domingo
na casa da avó. Porque amar é isso. É troca. E troca é renúncia. Não uma
renúncia sofrida ou nociva, mas uma renúncia consciente e tranqüila, unicamente
por saber que a pessoa amada está feliz. É isso aí. É isso que eu quero. Alguém
que brinque, que vibre, que sorri da vida, que brigue, que perdoa, que me faça
perdoar, que desorganize o meu mundo, mas não volte a reorganizá-lo somente no
dia seguinte. É isso que eu quero. Alguém que não tenha medo de se apaixonar e
que não se intimide com os ridículos do amor.
Não sou perfeita. Não tenho pretensão de o ser.
Tenho em mim quase todas as qualidades do mundo, assim como quase todos os
defeitos também, inclusive, a ingenuidade de querer ainda imaginar que tudo
isso não se trata, da mesma forma, de um conto de fadas. É que de vez em quando
eu me recuso a crescer, e está me fazendo falta aquela época em que eu
acreditava que "eles se casaram e viveram felizes para sempre "
Autor Desconhecido....
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